Sinal digital deixa aldeias sem emissão

O tempo estava parado em Alferce, mas segunda-feira andou para trás. “Voltámos ao antigamente”, diz Catarina Maria, de 70 anos. Quase metade dos moradores da aldeia do concelho de Monchique ficou sem televisão com a mudança do sinal analógico para o digital, devido ao fecho, cerca das 11h30, do emissor da Fóia, a escassos quilómetros. A mudança foi adiada 11 dias, para a instalação de um repetidor na Picota.

 

O reforço salvou metade do concelho de Monchique do apagão, mas manteve a pequena aldeia na sombra. No “povo de baixo” o sinal digital chega muito fraco e a maioria da população, muito idosa, percebe mal a mudança. Poucos compraram descodificadores e alguns viraram as antenas para o retransmissor de Beja, que só muda em Abril. No centro de dia de Alferce jogava-se às cartas em silêncio. Faltava a companhia da TV. “É uma tristeza”, lamentava Catarina Maria.

No Alentejo, a situação é idêntica. Em muitos lares o sinal digital não chega aos televisores, sobretudo em São Teotónio, Odemira, onde já se multiplicam as queixas. Nas zonas mais baixas da localidade houve quem tivesse de comprar uma antena para captar o sinal.
“Gastei mais de 130 euros numa box e parabólica, um valor inacessível para a maioria das pessoas”, referiu uma moradora de São Teotónio. Nesta vila houve também quem se queixasse da falta de apoio para os desempregados. “Estou sem trabalho e só o meu marido é que está a receber o subsídio de desemprego. Assim vai ser complicado ter dinheiro para adquirir o descodificador”, desabafou a moradora Maria Otília, de 51 anos.
Mais a norte, em Santiago do Cacém, a maioria dos habitantes recebeu o sinal sem quaisquer dificuldades. “Já tenho o aparelho há muito tempo. A imagem é igual”, adiantou Francisco Gonçalves, de 82 anos.
Já a norte, cerca de 50 moradores dos bairros sociais do Porto já aderiram à TDT. A iniciativa partiu da autarquia, que celebrou um protocolo com a ANACOM. “Consiste num conjunto de ações para ajudar a população, nomeadamente sessões de esclarecimento com agentes sociais em bairros da responsabilidade da câmara”, explicou Eduardo Cardadeiro, administrador da ANACOM, que esteve ontem num encontro com jornalistas no Porto.
Um dos objetivos é implementar o serviço nos quinze bairros sociais que estão a ser requalificados pela autarquia. “Estamos a falar de cinco mil residências que, estando ligadas à rede Porto Digital, não precisam de fazer mais nada. A rede funciona como um operador, apesar de só oferecer os quatro canais e a TV Porto [estação da autarquia]. Cerca de 50 pessoas já aderiram a este serviço”, adiantou o vice-presidente da câmara, Vladimiro Feliz.
Fonte: Grelha TV.

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